nicolas.nunes
Guia Prático

Prompts para advogados: 8 modelos prontos para o escritório

Prompts para advogados prontos no método C.L.A.R.O.: triagem, resumo, peça, contrato e e-mail ao cliente, com os cuidados de sigilo que a OAB recomenda.

22 de outubro de 2026 10 min de leitura

Prompts para advogados funcionam quando dizem à IA quem é o escritório, em que tom escrever, o que fazer, com qual modelo comparar e como avaliar o resultado. Abaixo estão 8 modelos prontos, montados no método C.L.A.R.O., para triagem, resumo, peça, contrato e cliente, com o cuidado que cada um exige.

Antes da lista, um aviso. Prompt não substitui o seu julgamento. Ele organiza o pedido para a IA errar menos, e a conferência continua sendo sua. Se o resultado sair com fundamento que você não checou, a culpa é sua, não da ferramenta.

Como esses prompts foram montados

Todos seguem o C.L.A.R.O., o método que eu uso para qualquer pedido à IA. Cada letra é uma parte do prompt:

  • Contexto: quem a IA é e para quem ela trabalha.
  • Linguagem: tom, formato e estilo da resposta.
  • Ação: exatamente o que ela deve fazer.
  • Referência: o modelo ou exemplo do resultado ideal.
  • Objetivo: o critério para saber se ficou bom.

Se você nunca montou um prompt assim, leia antes o método C.L.A.R.O. passo a passo. Os campos entre colchetes são para você preencher. Funcionam no ChatGPT, no Claude e no Gemini.

Imagine a IA como um estagiário muito bom que chegou hoje no escritório. Ele escreve rápido, mas não conhece o cliente, o caso nem o seu jeito de trabalhar. A própria documentação da Anthropic usa essa comparação: trate o modelo como um funcionário novo e brilhante, mas sem contexto sobre as suas normas. Quanto mais claro o pedido, melhor a entrega.

Antes de colar qualquer coisa: sigilo e dados do cliente

Qual é o primeiro passo? Tirar do texto o que identifica o cliente. A recomendação do Conselho Federal da OAB sobre IA generativa na prática jurídica pede atenção especial a dados que possam tornar o cliente identificável e diligência na escolha da ferramenta, inclusive para que os dados não sejam usados no treinamento do sistema.

Na prática:

  • Troque nome, CPF, endereço e número de processo por marcadores como [CLIENTE A] e [PROCESSO 1].
  • Confira nas configurações e na política de privacidade da ferramenta como ela trata o que você envia.
  • Se o caso é sensível, a decisão de usar IA nele é sua, caso a caso. Na dúvida, não cole.

8 prompts para advogados prontos para usar

1. Triagem do primeiro contato

Para que serve: organizar a mensagem que o possível cliente mandou no WhatsApp ou por e-mail e saber o que perguntar na consulta.

Contexto: você é assistente de um escritório de advocacia que atua em [ÁREA DO DIREITO]. Recebemos o relato abaixo de um possível cliente, já sem dados pessoais.
Linguagem: tópicos curtos, linguagem técnica, sem opinião sobre o mérito.
Ação: separe os fatos narrados, as datas citadas, os documentos mencionados e o que ficou faltando para entender o caso. Liste até 8 perguntas para eu fazer na primeira consulta.
Referência: use as seções "Fatos", "Datas", "Documentos", "Lacunas" e "Perguntas".
Objetivo: eu preciso sair da leitura sabendo o que perguntar, não a solução do caso.

Relato: [COLE O RELATO SEM DADOS PESSOAIS]

Cuidado: a IA não decide se você aceita o caso nem dá parecer. A recomendação da OAB diz que o atendimento por chatbot não deve incluir atividade privativa da advocacia.

2. Resumo de documento ou de peça processual

Para que serve: ter uma visão rápida de uma petição, sentença ou contrato longo antes de ler com atenção.

Contexto: sou advogado e preciso entender rapidamente o documento abaixo, que é um(a) [TIPO DE DOCUMENTO].
Linguagem: português formal, frases curtas, sem adjetivos.
Ação: primeiro, copie entre aspas os trechos que tratam de pedidos, fundamentos e prazos. Depois, com base só nesses trechos, faça um resumo de no máximo 15 linhas.
Referência: cada afirmação do resumo deve indicar o trecho citado de onde saiu.
Objetivo: se algo não estiver no documento, escreva "não consta". Não complete com suposição.

Documento: [COLE O TEXTO]

Cuidado: o pedido de citar o trecho antes de resumir vem da documentação da Anthropic, que recomenda colocar o documento longo no topo e pedir as citações relevantes primeiro. Isso reduz invenção, mas não zera. Confira os trechos no original.

3. Linha do tempo dos fatos

Para que serve: transformar e-mails, mensagens e anotações soltas em uma cronologia.

Contexto: estou montando a cronologia de um caso de [ÁREA]. Os materiais abaixo estão fora de ordem.
Linguagem: tabela com as colunas Data, Fato, Fonte (qual material).
Ação: organize os fatos em ordem cronológica. Quando a data for incerta, marque "data aproximada" e explique por quê.
Referência: um fato por linha, sem juntar dois acontecimentos.
Objetivo: eu preciso ver contradições e buracos na história. Liste no final as datas que se contradizem.

Materiais: [COLE OS TEXTOS SEM DADOS PESSOAIS]

Cuidado: a tabela é tão boa quanto o material que você colou. Fato que não estava ali não pode aparecer.

4. Esqueleto de peça

Para que serve: sair da página em branco com a estrutura da peça, não com a peça pronta.

Contexto: sou advogado e vou redigir um(a) [TIPO DE PEÇA] na área de [ÁREA]. O resumo dos fatos é: [RESUMO].
Linguagem: estrutura em tópicos, com títulos das seções.
Ação: proponha a estrutura da peça e, em cada seção, escreva em uma frase o que precisa ser demonstrado. Indique quais fatos do resumo sustentam cada ponto.
Referência: siga esta ordem de seções que eu uso: [COLE A ESTRUTURA DO SEU MODELO].
Objetivo: não cite lei, súmula ou julgado. Onde precisar de fundamento, escreva "[PESQUISAR FUNDAMENTO]".

Cuidado: esse é o ponto mais sensível da lista. A recomendação da OAB pede atenção especial ao levantamento de doutrina e jurisprudência com IA e lembra o dever de veracidade do art. 77 do Código de Processo Civil. Por isso o prompt proíbe a citação: a pesquisa de fundamento você faz nas bases oficiais. Entenda o motivo em por que a IA inventa informação.

5. Revisão de cláusulas de contrato

Para que serve: uma segunda leitura para achar ponto de atenção que passou batido.

Contexto: represento a parte [CONTRATANTE/CONTRATADA] em um contrato de [TIPO]. O texto abaixo está sem dados pessoais.
Linguagem: tabela com Cláusula, Trecho, Ponto de atenção, Pergunta para o cliente.
Ação: aponte cláusulas ambíguas, obrigações sem prazo, multas desproporcionais ao que foi descrito e ausências comuns nesse tipo de contrato.
Referência: copie o trecho exato de cada cláusula comentada.
Objetivo: eu quero uma lista do que revisar, não um parecer. Não diga se a cláusula é válida ou inválida.

Contrato: [COLE O TEXTO]

Cuidado: a IA aponta, você decide. Validade e estratégia de negociação ficam com você.

6. E-mail de andamento para o cliente

Para que serve: explicar uma movimentação do processo em linguagem que o cliente entende.

Contexto: sou advogado e preciso atualizar um cliente que não é da área jurídica.
Linguagem: tom cordial e direto, sem juridiquês, frases curtas, no máximo 150 palavras.
Ação: explique o que aconteceu, o que significa para ele e qual é o próximo passo.
Referência: o que aconteceu foi: [DESCREVA A MOVIMENTAÇÃO]. O próximo passo é: [PRÓXIMO PASSO].
Objetivo: o cliente precisa terminar a leitura sabendo se precisa fazer algo. Não faça promessa de resultado.

Cuidado: você lê e assina. A OAB recomenda que a comunicação com o cliente não seja feita apenas a partir de conteúdo gerado por IA e que o cliente possa falar com uma pessoa quando pedir.

7. Roteiro de perguntas para reunião com cliente

Para que serve: preparar a conversa para não esquecer o que importa.

Contexto: tenho uma reunião com um cliente sobre um caso de [ÁREA]. O que sei até agora: [RESUMO SEM DADOS PESSOAIS].
Linguagem: lista numerada, perguntas abertas e simples.
Ação: monte até 12 perguntas, em ordem lógica, para esclarecer fatos, provas disponíveis e expectativas do cliente.
Referência: separe em blocos "Fatos", "Provas" e "Expectativas".
Objetivo: ao final da reunião, eu devo ter o necessário para decidir os próximos passos.

Cuidado: adapte as perguntas ao cliente. Roteiro lido em voz alta, palavra por palavra, afasta a pessoa.

8. Checklist de documentos para o cliente

Para que serve: pedir os documentos certos de uma vez, sem idas e vindas.

Contexto: atuo em [ÁREA] e vou iniciar um caso de [TIPO DE DEMANDA].
Linguagem: checklist simples, em linguagem que o cliente entende, com uma linha explicando para que serve cada item.
Ação: liste os documentos que costumam ser necessários para esse tipo de caso, separando "essencial" de "ajuda se tiver".
Referência: a lista que eu já uso hoje é esta: [COLE SUA LISTA, SE TIVER].
Objetivo: eu vou revisar e enviar ao cliente. Marque com "(confirmar)" o que depende do caso concreto.

Cuidado: confira contra a sua prática. Lista genérica esquece o detalhe do seu caso.

Como ter resultado melhor com esses prompts

Três ajustes que fazem diferença:

  1. Divida o pedido. Peça a estrutura, depois uma seção, depois a revisão. A IA que recebe tudo de uma vez se perde no meio.
  2. Dê o seu modelo. A Referência é a letra que mais muda o resultado. Cole uma peça sua (sem dados) como exemplo de estrutura e tom.
  3. Fixe o contexto. Se você repete a mesma descrição do escritório toda vez, coloque isso num projeto. Expliquei como em projetos no Claude, GPTs e Gems com contexto fixo.

Se você ainda está decidindo qual ferramenta usar no escritório, o comparativo ChatGPT, Claude ou Gemini na empresa ajuda. Não existe a melhor IA: teste duas com o mesmo prompt e fique com a que resolveu o seu caso.

Para treinar esse jeito de pedir com exercício, a trilha Básico: o chat bem usado cobre o C.L.A.R.O., o trabalho com arquivos e a revisão antes de usar. E a aula aberta Engenharia de prompt: 3 técnicas além do básico mostra o próximo nível.

O que nunca delegar à IA

A recomendação da OAB é clara: o julgamento profissional não pode ser feito pela IA sem supervisão humana, e nenhuma atividade privativa da advocacia deve ser delegada ao sistema. Também recomenda transparência com o cliente sobre o uso de IA, avaliando cada caso.

  • Decidir a estratégia do caso.
  • Citar lei, súmula ou julgado sem conferir na fonte oficial.
  • Mandar ao cliente texto que você não leu.
  • Colar dado que identifica o cliente sem critério.

Perguntas frequentes

Existem prompts para advogados gratuitos?

Sim. Os 8 modelos deste post são livres para copiar e adaptar. O que faz o prompt funcionar não é a lista, é você preencher o contexto do seu caso e revisar a resposta.

Esses prompts funcionam no ChatGPT, no Claude e no Gemini?

Funcionam nos três, porque são instruções em texto. O resultado muda um pouco de uma ferramenta para outra. Rode o mesmo prompt em duas e compare.

Posso usar a IA para pesquisar jurisprudência?

Pode usar para ter pistas, mas não como fonte. A IA calcula a resposta mais provável, não a verdadeira, e pode citar julgado que não existe. Todo fundamento precisa ser conferido na base oficial antes de entrar na peça.

A OAB proíbe o uso de IA na advocacia?

Não. O Conselho Federal aprovou em 2024 uma recomendação com diretrizes de uso, organizada em legislação aplicável, confidencialidade, prática ética e comunicação com o cliente. Ela pede supervisão humana, sigilo e transparência.

Servem para advogados trabalhistas e criminalistas?

Servem para qualquer área, porque os campos entre colchetes recebem a área e o tipo de caso. Na área criminal, o cuidado com dados do cliente pesa ainda mais: na dúvida, não cole.

Próximo passo

Prompt bom é consequência de processo organizado. Antes de pensar em ferramenta, defina quais tarefas do escritório se repetem e onde a conferência acontece. Se você quer aprender a montar esses pedidos com método, na Academ.IA a trilha Básico resolve isso, e ela é grátis para começar.

Fontes

  1. Recomendação do Conselho Federal da OAB: diretrizes para o uso de IA generativa na prática jurídica (PDF) · acessado em 22 de outubro de 2026
  2. Anthropic: Prompting best practices · acessado em 22 de outubro de 2026
  3. OAB SP, Jornal da Advocacia: OAB divulga recomendações para uso da IA na prática jurídica · acessado em 22 de outubro de 2026
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